A Freguesia de Santa Eugénia encontra-se situada a nordeste de Alijó e desfruta de uma belíssima paisagem do sopé do monte de Santa Bárbara.
Passou várias vezes do Concelho de Murça para o de Alijó, ficando definitivamente ligado a este em 1885.
Esta povoação fica situada no limite da região Demarcada do Douro e faz a transição entre as paisagens durienses e as marcadamente transmontanas que tanto caracterizam este concelho.
As suas principais culturas são o vinho, grande parte de benefício, o azeite, a amêndoa, e, na parte alta da freguesia, a batata.
No que respeita ao património cultural destaca-se a talha dourada do altar-mor da igreja matriz em barroco do século XVII, a Sagrada Custódia do mesmo estilo, em prata, assim como algumas imagens de Santos muito antigos, alminhas e uma tábua votiva do século XIX.
Também é de referir o Solar dos Malheiros de 1810 e o Solar dos Santos Melo com capela particular e pintura nos tectos.
A ocupação humana do território de Santa Eugénia remonta à Pré-história, como comprovam diversos vestígios arqueológicos encontrados na região, incluindo indústrias líticas dos períodos paleolítico e neolítico.
Durante a Antiguidade, a região foi ocupada por povos proto-históricos, nomeadamente comunidades de matriz celta.
A presença destes povos encontra eco em elementos simbólicos, como a cruz celta existente na igreja matriz.
A partir do século III a.C., com a chegada dos romanos à Península Ibérica, o território foi integrado no processo de romanização. Este período deixou marcas importantes na organização do espaço e nas infraestruturas, nomeadamente ao nível da circulação e exploração de recursos.
Na época medieval, esta freguesia já é referida na documentação portuguesa, nomeadamente a partir do século XII. No entanto, tudo indica que a sua origem será mais antiga, podendo ter constituído uma paróquia de origem sueva durante o século VI, período em que se lançaram as primeiras bases do cristianismo na região.
A presença de uma cruz celta no telhado da igreja matriz, colocada por cima da porta principal, sugere também a possível influência dos Celtas nesta área, indicando que estes povos poderão ter passado ou até fixado neste território.
Santa Eugénia integrou o concelho de Alijó desde o seu foral, atribuído por D. Sancho II em 1226, onde é mencionada como uma das povoações do seu termo.
Neste foral, faziam parte do concelho de Alijó as seguintes povoações: Alijó, Granja, Presandães, Chã, Valdemir; Santa Eugénia, Casas da Serra, Carlão, Franzilhal, Safres.
Contudo, ao longo da Idade Média, ocorreram alterações administrativas.
Nas Inquirições de 1258, promovidas por D. Afonso III, já se registam mudanças na dependência territorial, passando a freguesia para o concelho de Murça “quod homines de Mussa filiavernt tantam heriditatem de Ligoo quod fecerunt ibi unam que vocatur Sancta Ougeja...”. “Do et concedo insuper vobis cum isa villa de Aligoo aldeyam de Prazenães et aldeyam Sancta Ogenia (...) si eas vincere per directum poteritis”.
A designação da freguesia de Santa Eugénia tem origem no culto cristão dedicado à sua padroeira, Santa Eugénia, tradição que remonta à formação das primeiras comunidades religiosas no território.
A toponímia da freguesia está profundamente ligada à cristianização do espaço, fenómeno que se terá consolidado durante o período suevo, entre os séculos V e VI, altura em que se estabeleceram as primeiras paróquias rurais na região. É provável que a atual freguesia tenha tido origem numa dessas comunidades primitivas, adotando desde cedo o nome da sua padroeira.
Ao longo da Idade Média, o nome da localidade surge referido em documentos históricos com diferentes grafias, como “Sancta Ogenia” ou “Sancta Ougeja”, refletindo a evolução da língua e da escrita ao longo dos séculos.
Paralelamente à explicação histórica, subsistem tradições e relatos populares que procuram explicar a origem do nome da freguesia, transmitidos ao longo de gerações.
Segundo uma dessas tradições, o nome estaria associado a uma aparição de Nossa Senhora, ocorrida em tempos remotos no monte hoje conhecido como Cabeço de Santa Bárbara.
Outra versão relata a história de uma jovem de grande beleza, chamada Eugénia, que terá decidido consagrar a sua vida a Cristo, recusando casar contra a vontade do pai. Perseguida e ameaçada de morte, teria sido salva no momento final por intervenção divina. Algumas versões atribuem essa salvação a Nossa Senhora, enquanto outras referem a intervenção de Santa Bárbara, que teria enviado um raio, destruindo o machado do carrasco e impedindo a execução.
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