Santa Eugénia é uma freguesia com profundas raízes históricas, materializadas no seu valioso património cultural e na memória coletiva das suas gentes.
Situada numa zona de transição entre Trás-os-Montes e o Alto Douro, esta terra reúne características únicas, onde se cruzam duas sub-regiões distintas, mas complementares, que partilham uma identidade comum.
São múltiplas as suas potencialidades turísticas: a beleza natural das serras envolventes, as paisagens marcadas pela vinha e pelo olival, as amendoeiras em flor, ou as maias na primavera, aliadas à sua proximidade ao rio Tinhela, que corre completamente selvagem, a sua integração no Parque Natural e Regional do Vale do Tua, as diversas faias (cascatas), complementadas com a riqueza da gastronomia local e um vasto património arqueológico, etnográfico e o seu edificado, fazem de Santa Eugénia um destino de interesse inegável.
Impossível não gostar, difícil não regressar!
A gastronomia local destaca-se pela sua autenticidade e sabor intenso, refletindo a identidade transmontana. Entre os pratos mais emblemáticos encontram-se o cordeiro assado, a caldeirada de cabrito, o cozido à portuguesa, as tripas à transmontana, os milhos, o arroz de grelos, rojões e assadura na época da matança do porco, as batatas à espanhola, o tradicional fumeiro, onde se destacam as suas alheiras, chouriços de sangue, linguiças e salpicão. Não seria justo, não mencionar a nossa famosa bola de carne.
A doçaria tradicional assume igualmente um papel de relevo, com especial destaque para as cavacas, o doce da Teixeira, as amêndoas cobertas e o bolo mulato.
Santa Eugénia e o seu território conservam uma forte tradição religiosa, em especial ligada a Santa Bárbara, padroeira e protetora da freguesia.
Segundo as memórias paroquiais de 1758, mandadas elaborar pelo Rei D. José I, Santa Bárbara, que dá nome à capela e ao cabeço onde está implantada, já era visitada por romeiros e atribuía milagres à sua intervenção.
As mesmas memórias, escritas pelo pároco da época, Manuel Teixeira, relatam ainda que o terramoto de 1755 se fez sentir em Santa Eugénia com tal intensidade que a própria igreja tremeu, gerando receio de que se desmoronasse.
Hoje, a devoção a Santa Bárbara mantém-se viva, refletida na festa anual celebrada no penúltimo fim de semana de agosto, preservando a ligação entre fé, história e identidade comunitária.
Cortesia de José Nogueira dos Reis
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